sábado, 2 de junho de 2018

Mudança





Um dia, ela foi uma garota mágica
Inundada pelo seu próprio otimismo
Sentia a magia fluir pelo seu corpo
Sabia que era capaz de tudo

Mas o que a vida fez dela, não dá para saber
Um dia acordou, cansada, sem esperança
Pela primeira vez, temeu o futuro

Suas magia, sentia escorrer pelos dedos
Seu otimismo foi tomado pela insegurança
Tinha medo
Não sabia mais se era capaz

Respire, pensou
Mas esqueceu-se como o fazia
Sentiu o ar lhe abandonar
Temeu o futuro
Descobriu o que era ser adulto

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Apenas um segundo






Se eu pudesse, por apenas um segundo
Sair por ai, esquecendo quem eu sou
 Me desvencilhar de tudo
Sem me importar aonde vou

Se eu pudesse, apenas por um segundo
Deixar de ser eu mesma
Achar uma outra maneira
Pra fugir desse mundo

Eu queria poder chorar
Apenas por um segundo
Deixar a garganta vazar

E tirar a mágoa que mora ao fundo

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A Menina Que Contava Histórias para a Lua.




Toda noite ela sentava na janela, deitava-se sobre seus braços e olhava para aquela forma naturalmente redonda e branca de luz fraca, mas que se intensificava na escuridão da noite.

Era sua única amiga.

Sua luz pálida e fria era confortante. Somente ela a entendia, somente ela a ouvia. E toda a noite, a menina contava-lhe suas histórias.

Contava baixinho, para não acordar as colegas. Mas não fazia diferença, pois ela sabia que mesmo baixinho, a Lua estaria ouvindo.

“Ela sempre estará ouvindo!” disse a si mesma, com um leve sorriso no rosto.

“Está frio esta noite, não é?!” começou a menina “Lua, hoje aconteceu uma coisa maravilhosa: eu fiz um amigo!”.

A Lua brilhou animada.

“Eu sei!” exclamou vendo a empolgação da amiga “Quem poderia imaginar, não é?! Quer que eu conte sobre ele?”.

Então ela subiu, para prestar atenção. A menina, feliz com a resposta, iniciou a sua história:

“Eu estava no pátio quando o vi. Estava sentada lá no canto da arquibancada, sabe?! Aquele onde sempre fico?!”.

A Lua assentiu.

“Então, eu estava lá e olhei pro chão, foi quando eu notei ele caído, com a perna machucada! Fui até ele e perguntei se estava bem e o que tinha acontecido, mas ele não me respondeu, porque estava com muita dor!”.

Uma das meninas, deitada na cama ao lado, mexeu-se. A menina, notando o movimento, deitou rapidamente em sua cama e a Lua diminuiu seu brilho. Esperaram escondidas. Quando o silêncio voltou, a menina retomou seu lugar na janela, bem devagarinho.

“Foi por pouco!” suspirou aliviada. A Lua concordou.

Ela olhou pros lado, e vendo que tudo estava bem novamente, tornou a contar a história.

“Onde eu estava? Ah sim! Ele estava muito machucado, então eu o levei aqui pro quarto!”.

A Lua piscou.

“Sim, sim, eu sei! Não poderia ter feito isso, mas não tinha outra escolha, não podia deixar ele lá!”.

“Trouxe ele e cuidei dos ferimentos! Ele dormiu a tarde toda, mas quando acordou, me agradeceu, e agora somos amigos!”. Finalizou sorrindo. “Ele até veio jantar comigo!”.

A Lua irradiou de felicidade.

“Quer conhece-lo?”. Perguntou a menina, apontando para algum lugar no quarto.

Então ela subiu de novo no céu.

A menina olhou pros lados, com cautela. O silêncio continuava. Ela se esgueirou pra debaixo da cama, e por um instante, a Lua a perdeu de vista. Quando ela apontou de novo na janela, trazia consigo uma pequena caixa.

“Improvisei essa casinha pra ele!” Explicou “Mas tem uma abertura, ele pode sair e voltar quando quiser!”.

A menina retirou uma pequena bola amarronzada e peluda da caixa. Era um camundongo.

“Ele não me disse o nome dele ainda, mas olha amiguinho...” Falou para o camundongo em suas mãos  “Essa é minha amiga Lua, e muito em breve, estarei com ela lá em cima!”.


A Lua brilhou, até mais do que havia brilhado aquela noite, feliz por conhecer um novo amigo. 

domingo, 30 de novembro de 2014

O Pintor





Olha ai, aquele moço passando
Com um sorriso gostoso
Com papéis de esboço
Com alegria no rosto

Olha lá, aquele moço pintando
Aquela paisagem conhecida
Aquela moça bonita
Aquela peça esquisita

Olha só, o moço indo embora
Já deu sua hora
Acena contente
Se despedindo da gente


Mágica





Sente-se, vou te contar um história
Antiga ou nova, não importa
Posso jurar que dela, você irá gostar
Então, recoste-se, pode deitar!

Agora abra a sua mente
E me deixe nela entrar
Você vai ver todas as mágicas que vou fazer
Milhões de maravilhas irão aparecer

Feche os olhos, pode sonhar
E acredite que tudo é real
É o poder que os sonhos têm
Boa noite, durma bem!

domingo, 23 de novembro de 2014

Quatro Estações






Era uma menina
E como todas as outras, sonhava
Sonhos que um dia esperava realizar
Como voar
Ou derrotar um dragão.

Era uma garota
E como todas as outras, esperava
Esperava o dia em que chegaria
O grande e único amor

Era apenas uma mulher
E como todas as outras, vivia
Vivia um dia após o outro
Tentando conciliar tudo o que havia conquistado

Era apenas uma velha
E como todas as outras, lembrava
Lembrava da época em que era menina
E sonhava em voar e derrotar dragões.

terça-feira, 18 de março de 2014

?





O que eu procuro não tem nome
Não tem forma, gosto ou cheiro
Mas eu tenho fome
De algo que nem sei direito

Eu procurei e cansei de não encontrar
Eu deixei pra lá e cansei de esperar
E agora?
Fico ou vou embora?

E se nunca aparecer?
Que devo fazer?

domingo, 2 de março de 2014

Tudo Bem





Andando pelas ruas escuras, tudo parece igual
O vento parado e nem as sombras parecem se mexer
Nada fora do normal
Tudo como se deve ser

E agora mesmo, eu sinto, posso partir
A necessidade que se fazia, já deixou de existir
É hora de embarcar

Quando o amanhã chegar, já estarei a mil léguas daqui
Não é como se alguém fosse se importar
Então, parto sem me despedir







A Carta Perdida






Olá, surpresa?!

     Quanta coisa que o tempo me permitiu dizer, mas eu não fui capaz de aproveitar. Se eu pudesse contar todas as oportunidades que tive, estaria perdendo outra mais uma vez. Meu único objetivo, nem eu sei dizer direito, apenas sei que preciso dizer o que quero dizer, e você sabe o que quero dizer, não sabe?! Pois eu sinto que você sabe!

   Por favor, peço que não mal interprete meu contato inusitado, mesmo que muito tempo já tenha se passado desde a última vez que nos comunicamos. Eu não escrevi para recordar nossos eventos passados ou para explicar minha atitude atual, mas confesso, escrevi porque tem algo em meu coração que pesa, que não sei dizer o que é, mas sinto que é com você! Você pode estranhar isso tão de repente, e eu vou entender, mas eu espero que você possa me entender também!
      Seu sorriso foi sempre a única coisa que me importou. Foi sempre pelo que eu lutei e almejei proteger!  Sempre que você estava deitada em meu colo, eu olhava seu semblante calmo, enquanto acariciava seus cabelos e prometia a mim mesmo que protegeria seu sorriso custasse o que tivesse que me custar, incluindo nós dois! Sua alma frágil e seu espírito sensível foram os principais motivos de minha aproximação inicial. E apesar dessa promessa de mim para mim mesmo, apesar de ter jurado que não deixaria ninguém te machucar, eu te machuquei! Eu quebrei sua alma frágil que eu tanto queria proteger! Mas eu rezei, rezei muito, para que você encontrasse alguém que pudesse consertá-la - e parece que você encontrou, não?!
     Não foi covardia minha! Eu lutei mais do que podia! Eu apenas descobri que jamais poderia proteger a sua alma já que a minha estava sendo destruída!
     Mas eu não quero falar do passado, não quero que você tenha em mãos uma carta impregnada com o que nós já sabemos. Quero falar do presente, por isso, responda gentilmente para mim:

Você é feliz?! Está feliz?!

Apenas responda e prometo que não irei importuná-lo novamente! Sei que não deseja me ver nunca mais, sei que te decepcionei e magoei, sei disso. Não peço que me perdoe de algo que eu mesmo não consigo.
Mas, se estiver em meu poder fazer algo para ajudá-la, por favor, me deixe saber! Por favor, me chame! Eu prometo que  farei apenas o que me pede, e sairei logo em seguida, como se nem tivesse aparecido! Se estiver com problemas, por favor, me deixe ser útil para você apenas mais uma vez!


Atenciosamente,
X



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Cade?







Eu ouço
Eu posso te escutar
Mas onde está?

Eu sinto
Eu posso perceber
Mas cade?

Eu procuro
Há tanto tempo já
E não consigo te encontrar!

Cade você, que não sei aonde está?