segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Cade?
Eu ouço
Eu posso te escutar
Mas onde está?
Eu sinto
Eu posso perceber
Mas cade?
Eu procuro
Há tanto tempo já
E não consigo te encontrar!
Cade você, que não sei aonde está?
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Amanhã
Amanhã eu sei, tudo irá melhorar
Se hoje cai uma tempestade dentro de mim
Eu sei que uma hora ela irá se acalmar.
Eu perdi muito
Mas não posso chorar
Visto meu melhor sorriso e sigo!
Eu sei que a felicidade vai chegar
Eu espero e eu espero sem me arrepender
Pois sei o que a felicidade irá me trazer!
sábado, 21 de dezembro de 2013
A Fábrica Encantada
Clown
era um palhacinho de pano muito bonitinho e colorido. Tinha as bochechas bem
rosadas e o nariz e a boca bem pintados de vermelho. Suas roupas tinham mais
cores do que o arco-íris, e seus cabelos eram feitos de uma lã bem alaranjada.
Era um brinquedo bem encantador. Clown
só tinha um defeito, era antigo demais. Ele estava naquela família já há muitas
gerações, a Tataravó Dita o havia construído e desde então ele passava de mão
em mão, de pai pra filho.
Um
dia, Clown foi para as mãos de Pedro, quando este acabara de fazer sete anos.
Foi amor à primeira vista.
Por
onde Pedro ia, fazia questão de levar
Clown junto. Se ele ia jantar, o palhacinho tinha um lugar à mesa; se ia para a
escola, Clown ia escondido no fundo da mochila; se ia viajar, Clown certamente
ia junto. E assim o tempo foi passando, até Pedro completar nove anos. Agora o
garoto tinha outros amigos, humanos como ele, com quem Pedro passava as tardes
jogando videogame, futebol e irritando as meninas. Percebendo que havia sido
substituído, Clown se retirou tristemente para uma prateleira esquecida.
Tempo
se passou e Pedro completou dez anos. Sua madrinha lhe presenteou com um boneco
de ação, daqueles que vem com armas e uma roupa camuflada, Pedro ficou tão
empolgado com o boneco novo que passou a tarde toda brincando com ele,
nomeando-o seu novo brinquedo favorito. Naquela mesma noite, enquanto Pedro
dormia, o boneco de ação recebeu todas as atenções dos outros brinquedos. Todos
estavam admirados com a quantidade de acessórios que ele carregava. Clown,
enciumado, gritou do alto da prateleira:
-
Se gabe enquanto pode, o dia em que você ficar velho vai estar nessa prateleira
junto comigo!
O
boneco, sem nenhum tipo de rancor ou zombaria pelo comentário feito por Clown,
respondeu:
-
Ué, por que você não vai até a Fábrica Encantada?
-
Fábrica Encantada? Nunca ouvi falar! – disse Clown.
-
Ora, nunca ouviu falar? É por isso que está reclamando, então! Lá na Fábrica
eles consertam os brinquedos e os deixam novinhos! Depois te devolvem ao seu
dono!
-
Sério? Puxa, então eu devo ir pra lá agora mesmo! Tenho certeza de que se ficar
novo em folha, Pedro vai voltar a brincar comigo!
-
É fácil chegar lá – disse o boneco de ação – é só seguir em direção ao norte!
-
Só isso?! Que simples!- exclamou Clown empolgado.
-
Mas cuidado, viu! Você tem que estar lá antes do dia 24 do próximo mês, ou
então só será entregue ano que vem!
-
Então vou partir agora mesmo!
Clown
pulou da prateleira e se dirigiu à janela aberta. Todos os outros brinquedos
soltaram desejos de boa sorte, e assim, ele iniciou sua jornada.
Quando
o Sol já estava a pino, Clown perguntou-se se ainda falta muito para chegar a
tal Fábrica. Quando anoiteceu, achou que talvez devesse voltar pra casa, mas
ficou cansado demais só de imaginar o caminho de volta, então foi adiante. No
final da primeira semana, se arrependeu de não ter voltado enquanto podia, mas
pensou em Pedro brincando com ele novamente, então continuou o caminho.
Na
segunda semana ele pegou um barco, e quase foi destruído pelo cachorro do capitão,
não fosse uma caixa de papelão que ele encontrou. Passou o resto da viagem
nela. No início da terceira semana, o barco atracou e Clown voltou a caminhar
em direção ao norte. Conforme ele andava, percebia que ficava mais frio e mais
vazio, até o ponto em que já quase no final da quarta semana, ele se sentia em
um deserto de gelo.
Foi
quando encarou aquela paisagem cheia de neve e o céu escuro que Clown foi
tomado por dúvidas, que geraram um medo enorme dentro dele. Será que ele havia
sido enganado pelos outros bonecos? Será que essa tal fábrica existia mesmo? Ou
será que ele havia tomado o caminho errado? Mas a pior de todas as perguntas
que rodeavam sua cabeça era: Será que vou conseguir voltar pra casa? Assustado
e confuso, Clown começou a chorar.
-
O que houve? – perguntou uma voz feminina às costas de Clown – Por que está
chorando?
Clown
se virou e viu uma boneca de plástico com cabelos louros, em estado quase
perfeito, não fosse pela falta da perna direita.
-
Não houve nada! – respondeu enquanto limpava seu rosto, encabulado - Só acho que estou perdido!
-
Está indo pra Fábrica?
-
Como sabe? – exclamou espantado.
-
Ora, aonde mais se iria por aqui?! – respondeu ironicamente enquanto apontava
para o deserto de neve.
-
Tem razão! – Clown riu da própria ingenuidade.
-
Meu nome é Elsa, se quiser, pode vir comigo! Também estou indo pra lá, uma
criança arrancou minha perna então estou precisando ser consertada!
-
Claro que vou com você! Me chamo Clown, e preciso de umas reformas também!
-
Todos que vão à Fábrica precisam! Eu vou toda hora, não tem um ano em que não
arranquem minha cabeça, braços ou pernas, já estou até acostumada!
Clown
e Elsa conversaram durante todo o caminho, até que Elsa apontou em direção à
uma cabana, toda iluminada e enfeitada. Foi a casa mais linda que Clown já
havia visto em toda a sua vida.
-
Uau! – exclamou admirado, enquanto se aproximavam da porta - Quem será que mora
por aqui?
-
Jura que você não sabe? – disse Elsa perplexa.
-
Não, nunca vim aqui antes!
-
Mas não precisa ter vindo aqui para saber, até os humanos sabem! É o...
Neste
momento, Elsa foi interrompida. A porta se abriu e um senhor de barba branca
bem comprida e roupas vermelhas saiu de dentro da cabana.
-
Chegaram bem na hora! - disse de bom –humor – eu ia partir daqui há duas horas!
Vamos, entrem, entrem! Está frio demais aqui fora!
Clown
ficou mudo perante aquela figura. Ele sabia quem ele era, mas apesar de ser um
brinquedo, nunca achou que ele realmente existisse.
-
Elsa, - continuou o bom velhinho – Vou começar a achar que você arranca suas
pernas de propósito só pra vir me ver, ho, ho, ho! Todo o ano você vem aqui!
-
Não é minha culpa que as crianças de hoje não saibam brincar, Noel!
Noel
foi até uma gaveta e procurou por uma perna direita. Assim que encontrou, colocou
em Elsa.
-
Seu amigo não é de falar muito não é?! – observou enquanto colocava a perna em
Elsa – O gato comeu sua língua, Clown?
-
Sabe meu nome?! – Clown de repente esqueceu-se de seu constrangimento perante
aquela figura lendária.
-
Ho,ho,ho! Claro que eu sei! Sei o nome de todos os brinquedos e crianças do
mundo, meu caro! – virou- se pra Elsa- Pronto querida, novinha em folha! Já
pode voltar ano que vem!
Elsa
riu e prometeu que voltaria.
-
Tchau Clown, - despediu-se do novo amigo – espero te ver de novo também!
-
Também espero! Só espero que não esteja com nada arrancado quando isso
acontecer!
Elsa,
Clown e Noel riram. Elsa despediu-se novamente e entrou na grande sacola
vermelha, aonde milhares de brinquedos esperavam para chegar às suas casas.
Bem-
começou Noel, dirigindo-se à Clown - e agora, que faremos com você?
-
Quero que me conserte, Papai Noel!
Noel
o examinou de cima a baixo, por fim disse:
-
Consertar? Consertar o que? Não vejo nada de errado! Nem um rasgo ou
defeito...você está muito bem cuidado, amigo!
-
Mas sou um boneco antigo! – insistiu - e meu dono não quer mais brincar comigo!
Se você puder me deixar mais novo, tenho certeza de que Pedro vai querer
brincar comigo de novo!
Noel
olhou seriamente para Clown e depois de alguns segundos sorriu bondosamente.
-
Venha comigo, Clown! Vamos levar os outros brinquedos pra casa, e você também!
-
Mas, você não vai me consertar? – espantou-se o boneco.
-
Apenas confie em mim e vamos embora!
Clown
não teve outra alternativa senão obedecer. Acompanhou Noel durante toda a
noite. Quando o último brinquedo foi entregue, Noel levou Clown para casa,
antes de descer do trenó, Clown hesitou, receoso.
-
Não precisa ter medo – disse Noel – Pedro está esperando por você! Fique
embaixo da árvore e verá que eu tenho razão!
Clown
concordou com a cabeça e fez o que Noel mandou.
Ele o viu indo embora pela janela, sendo puxado pelas renas. Quando já
estava bem alto, Clown o ouviu gritar:
-
Feliz Natal, Clown!
Clown
sorriu e esperou ansiosamente até o amanhecer.
-
Toda essa viagem foi pra nada – pensou consigo mesmo- continuo igual à antes!
Será que o Papai Noel está certo? Será que Pedro vai me querer? Mas se ele não
me queria antes, por que vai me querer agora?
De
repente Clown ouve passos se dirigindo à sala. É Pedro correndo para ver o que
Papai Noel havia deixado embaixo da árvore. Ele abriu um sorriso enorme e seus
olhos se iluminaram quando viu que era Clown quem estava lá.
-
Mamãe, você o encontrou! Nem acredito! - Pedro correu em direção ao boneco e o
abraçou – Achei que tinha te perdido! Que bom que o achamos!
Clown
ficou tão feliz, era até difícil de acreditar! Pedro o estava abraçando de
novo. E não foi só naquele momento, Pedro ficou com ele durante todo o dia, e a
noite, o deixou em sua mesa de cabeceira. No dia seguinte, tudo ocorreu da
mesma forma, e nos dias seguintes também. Papai Noel estava certo – pensou o
boneco – Pedro sentiu minha falta!
Ás vezes esquecemos o quanto algo ou alguém é importante,
por que ela está sempre ao nosso lado. Só quando percebemos que a perdemos que
sentimos sua falta, e Noel sabia que era esse o problema entre Clown e Pedro.
Por isso, se algum de vocês tiver alguém que lhes é importante e nunca lhes
disse, diga hoje, agora se possível. Pedro aprendeu, e agora nunca mais deixa
Clown na prateleira esquecida.
domingo, 8 de dezembro de 2013
Nostalgia
Uma coisa curiosa sobre a nostalgia é a capacidade de romantizar o nosso passado. Os momentos reavidos em nossa mente são apenas os bons, aqueles momentos felizes e cheios de cor! Os ruins e cinzentos até surgem de vez em quando, mas esses, ah esses são extramamente amenizados e acorbetados por esse sentimento de saudade daquilo que costumávamos ser e ter.
Pude perceber isso melhor quando um evento recente em minha vida me fez voltar um pouco ao passado, lá pros inícios da minha adolescência. Duas pessoas que costumavam ser extremamente importantes pra mim naquela época tomaram meus pensamentos. Obviamente, nós não nos falamos mais - ao menos, não da forma como nos falávamos - , e eu me perguntei qual teria sido o motivo deles terem se distanciado, e principalmente, o motivo de eu ter aceitado essa distância, já que eu os julgava as duas pessoas que envelheceriam ao meu lado. A busca para essas respostas não demorou muito, bastou dar algumas olhadas em e-mails antigos, as últimas conversas, cartas e bilhetes para saber o que havia acontecido entre a gente: mágoas acumuladas.
Não sou uma expert quando se trata de psicologia, nem sequer li algum livro a respeito, mas penso que quando alguém acumula muita mágoa, raiva e decepção dentro de si, pode acabar gerando um distanciamento automático da pessoa que gerou esses sentimentos. Pois é, foi exatamente isso o que houve. De ambas as partes.
Como poderia se evitar esse tipo de situação? Afinal, eram as pessoas mais importantes para mim na época! Como pude deixar isso acontecer? O momento em que fomos verdadeiros um com o outro foi o momento em que percebemos o quanto estávamos machucados!
Mas isso não é só privilégio meu, todo mundo passa ou já passou por isso( e quem não passa nem passou, certamente passará)! Às vezes ficamos queitos para não brigar por besteira, ou por que pensamos que é besteira mesmo, mas na verdade aquilo incomoda. Dai pra frente é como uma bexiga sendo enchida vagarosamente, vai enchendo, enchendo, até que estoura. (Não pensem que roguei uma praga quando disse que quem não passou por essa situação certamente passará, na verdade eu apenas coloquei dessa forma por que faz parte do ser humano. Não conheço ninguém que não engula alguns sapos de vez em quando em nome de uma convivência harmoniosa.)
A bola de neve que se forma e cria dentro da gente essa vontade de se afastar é devastadora, e muitas vezes permanente. Será que tem um jeito de pará-la? Uma solução - muitos diriam- seria sempre dizer quando algo nos incomoda! Mas até que ponto isso seria uma solução? Nossa intolerância natural para com os defeitos e manias dos outros provavelmente nos faria viver isoladamente, já que todas as pessoas tem prós e contras (incluindo eu, você e quem mais quer que seja!). Talvez o mais sensato seja buscar aceitar a pessoa como ela é! Mas não aquela aceitação falsa, que diz que apesar de dizer que aceita, na verdade sente pontadas na alma, aguentando tudo, calada pela hipocrisia. Não! Eu falo de uma aceitação sincera! Muitos falam de se colocar no lugar da pessoa, mas a maioria faz esse exercício se esquecendo que a pessoa age, pensa e sente diferente. É um tipo de exercício que exige auto-conhecimento e sensibilidade apurada. Ou seja, quase impossível de ser feito e só grandes almas são capazes de exercer!
É, parece que não tem jeito! Sempre vamos acabar magoando alguém e alguém sempre vai acabar nos magoando. Faz parte dos relacionamentos, sejam eles quais forem. Bem, mesmo sem saber como evitar, existe sempre uma forma de consertar - ou pelo menos tentar - , e vai ver que é por isso que eu goste desse sentimento nostálgico que bate às vezes. A gente revive aquelas cenas dando valor só as coisas que realmente importavam! E quanto aos pequenos incômodos que geraram a briga...bem, como eu disse eles voltam na memória também, e voltam exatamente como eles são, pequenos.
E-mails de reconciliação enviados.
domingo, 22 de setembro de 2013
Bonequinha
O que fazer com você, bonequinha?
Não é linda o suficiente para ser vendida
Não é esperta o bastante para ser ouvida
O que fazer com você, bonequinha?
Seus dias de glória nunca vieram
Ninguém mais te quer por perto
Os amigos ja cansaram
O seu futuro é incerto
O que fazer com você, bonequinha?
Sua roupa nem é assim tão bonita
Que fazer, que fazer?
Ninguém vai te querer!
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
O último suspiro
Eu não poderia mais suportar. Lutei de todas as formas que sabia e pensei que havia me feito vitorioso dessa batalha. Pensei que colocariam em meu túmulo "Aqui Jaz Adam, o homem que lutou até o fim!". Quanta besteira!
Deixei de lado todas as minhas convições, minha honra, tornei-me egoísta e mesquinho, e para que? Apenas para desfrutar de uma vitória momêntanea e superficial. Mas se eu não tivesse feito esse trabalho sujo, tenho certeza que alguém mais o teria, e talvez não tivesse sido alguém cheio de tão boas intenções quanto eu. Estou me enganando, não haviam boas intenções, ao menos não para outra pessoa que não fosse eu mesmo. Se agora, neste último momento, eu me arrependo do que fiz? Sim, mais do que ninguém! Se eu voltaria atrás? Não, nunca, mas assumo a responsabilidade de suas consequências!
- Quem pegou os suspiros que eu trouxe da padaria? Adam, foi você?
- De jeito nenhum!
terça-feira, 3 de setembro de 2013
O Encontro
Aconteceu em um dia comum. Estava sentado na poltrona, de frente para a janela que dava para o jardim, observando o céu que não estava totalmente nublado e nem totalmente limpo. Não haviam pensamentos e minha cabeça divagava junto com a brisa do vento. Foi quando ouvi sua voz, tão parecida com a minha:
- Pare com isso!
Eu não me assustei, eu sabia quem era.
- Eu queria parar, só não sei como! - respondi.
- Sabe sim, só tem medo de fazê-lo!
Sua resposta me atingiu como um tapa. É verdade, eu realmente tinha medo, não queria fazer o que tinha que fazer por medo das consequências.
- Não tenha medo, eu vou ficar do seu lado!
- Vai mesmo? -perguntei contendo um choro de vergonha.
Senti que ele me abraçava, senti sua preocupação sincera, senti todo o seu amor infinito naquele simples abraço. Minhas resistências foram embora, e afinal, por quê estava resistindo? Chorei.
- Vai ficar tudo bem, de verdade!
- Eu sei! -respondi com sinceridade. Sorri levemente enquanto enxugava meu rosto, molhado pelas minhas lágrimas- Por que demorou tanto para vir?
- Não demorei para vir, você que demorou para me ouvir!
Senti beijar-me a testa, mas ele não se despediu e tampouco foi embora. Ele nunca irá embora na verdade, e agora eu sei disso.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
A Rainha da Chuva e o Príncipe do Trovão.
No
alto dos céus, em uma nuvem cinza, existia um palácio feito de cúmulus, vento e
água. Era nesse palácio que residia a Rainha da Chuva e todo o seu reino.
Apesar do clima naquela nuvem cinzenta ser frio e úmido, seus habitantes viviam
em alegria e adoravam festejar. Existia uma celebração que eles aguardavam com
ansiedade: o dia em que a Rainha iria abrir a grande comporta do palácio e
despejar água na terra. Esse dia específico era conhecido como a Celebração da
Chuva.
A
Celebração da Chuva era comemorada da seguinte forma: a parte da manhã se
passava comendo, mas nada se bebia - para simbolizar a água poupada para a
chuva. - , à tarde entravam os músicos e uma dança de roda em volta da grande
compota era formada por todos os habitantes do reino. Somente no meio da música
a Rainha da Chuva aparecia dirigindo-se ao centro da roda e abria a comporta.
Os habitantes permaneciam dançando e cantando até que a água acumulada tivesse
se dirigido totalmente para a terra. O resto da comemoração se passaria
comendo, bebendo e dançando, como todas as festividades devem ser.
Aquela
prometia ser uma grande Celebração da Chuva. Já havia muito tempo que não era
comemorada e a grande comporta quase transbordava de tanta água acumulada. Os
habitantes do reino estavam empolgados e preparavam tudo com animação e
cantoria. Mesmo a Rainha da Chuva estava nervosa para a Celebração.
Quando
tudo estava em seu lugar, a festividade deu-se início. Primeiro os comes, sem
os bebes. Tudo dentro dos conformes. Foi somente quando a dança teve seu começo
que viu-se uma luz forte seguida de um barulho tão alto que os habitantes se
esconderam e a festa foi interrompida. A Rainha, em seu total poder, foi
procurar a origem do problema. Ela se dirigiu para a parte mais alta da torre e
chegando na janela pode avistar um jovem em uma nuvem, tocando uma espécie de
tambor tão grande que chegava a ser o dobro de tamanho do palácio da Rainha. A
luz, a Rainha observou, tinha origem no atrito das duas nuvens - da dela e da
dele - , cada vez que se encostavam, a luz aparecia.
-
Senhor, com sua licença! - disse a Rainha com voz poderosa. O jovem olhou para
ela. - Perdoe-me, mas pode me dizer qual o motivo de ter-se enganchado na minha
nuvem e atrapalhado minha festa?
O
jovem da nuvem sorriu e lhe fazendo uma grande reverência respondeu:
-
Perdão digo eu, senhorita Rainha! Sou o Príncipe do Trovão e estava tratando de
meus negócios quando um vento muito forte me arrastou para a sua nuvem.
Infelizmente elas se prenderam e não sei se há um jeito de soltá-las!
-
Tem que haver!- desesperou-se a Rainha - meu povo espera por esse festival há
muito tempo!
O
Príncipe pensou e depois de um tempo disse para a Rainha.
-
Tentemos o seguinte: Eu vou puxar minha nuvem desse lado e você chama um criado
para puxar do seu lado. Desse jeito, creio eu, conseguiremos nos soltar.
A
Rainha concordou e assim foi feito. O jovem mais forte do reino foi colocado de
um lado da nuvem, e o Príncipe do Trovão ficou do outro lado, na contagem do
"3" os dois puxaram a nuvem. Saíram diversos raios, mas nada das
nuvens se soltarem. Tentou-se mais duas vezes, até que a Rainha e o Príncipe
mudassem de estratégia.
-
E se... - começou a Rainha - você fizesse muito barulho com aquele seu tambor.
Talvez a vibração do som faça as nuvens se soltarem!
O
Príncipe concordou. Subiu de volta para o tambor e tocou tão alto quanto pode,
porém, nenhuma nuvem se moveu.
Naquela
altura, os habitantes já estavam se divertindo com o acontecimento, e foi de
comum acordo que se deixasse a história de separar as nuvens de lado e a festa
desse prosseguimento. A Rainha e o Príncipe concordaram e a dança foi retomada.
Quando a Rainha abriu a grande comporta, a água saiu aos montes, diminuindo o
tamanho da nuvem e fazendo com que ela se desprendesse da nuvem do
Príncipe. Divertindo-se com a solução,
os habitantes, a Rainha e o Príncipe comemoraram. Os habitantes pegaram pedaços
de sua cúmulus e jogavam na do Príncipe, para que se formassem os raios. O
Príncipe, por sua vez, foi até o tambor e tocou tão alto quanto pode; e logo se
entrou numa brincadeira com os habitantes: cada vez que um raio era formado,
ele tocava o tambor. A Rainha permaneceu com a comporta aberta, se divertindo
com a cena.
Quando
a água finalmente acabou, a Rainha e os habitantes fizeram o Príncipe prometer
que voltaria sempre no dia da Celebração da Chuva. É por isso que hoje em dia, sempre
que começa a chover na terra, podem-se ver raios, seguidos por trovões.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Um trecho de qualquer coisa...
Sentado naquele bar, ele se sentia confuso e levemente tonto
com tantas misturas de luzes e sons. Era
um ambiente novo para ele. A bagunça o estava deixando enjoado e ele sentia um
refluxo vindo a qualquer momento. “Foco!”- disse em voz baixa e desesperada – “Você
só precisa focar em alguma coisa!”. Seus olhos, então, saíram em busca de um
foco, e esse foco caiu justamente em uma garota bem à sua frente. Ela dançava
sozinha, ou era o que parecia. Estava de olhos fechados e deixava-se levar por
todos os sons que tocavam. Henrique era capaz de sentir toda a liberdade que
aquela garota emanava. Talvez o motivo dessa liberdade estivesse em seus
cabelos soltos e compridos, talvez estivesse na sua saia de tecido leve ou em
seu sorriso permanente; fosse o que fosse, era como se nada a incomodasse, como
se não tivesse nenhum problema, nenhuma trava social. Era um sonho.
Parecia que ele a
estava observando há dias, até ela também virar seus olhos para ele. O coração de Henrique parou, era a própria
vida o encarando. Ela se aproximou e com uma expressão dura na face, sem dizer nenhuma
palavra, ela o beijou. Um beijo ávido, cheio de desejo. Um beijo que Henrique
jamais vivenciou em toda a sua vida até aquele momento. Quando enfim conseguiu
abrir os olhos, ela já havia ido embora. Em um movimento brusco ele levantou-se do bar
e foi procurar por aquela misteriosa garota na pista de dança. Se jogou por
aqueles corpos que antes o assustavam, mas que agora nada significavam para
ele. Precisava encontra-la, precisava vê-la de novo, precisava saber ao menos o
seu nome para ter certeza de que não tinha sonhado.
Passou quase toda a noite procurando pelo hotel e nada. Ela simplesmente havia desaparecido. “Não
pode ter sido um sonho!”- repetia a si mesmo, ainda sentindo o gosto daquele
beijo em sua boca. Aquele beijo cheio de vida que ele ansiava sentir novamente.
Procurou mais uma vez, perguntando aos
funcionários do hotel se haviam visto alguma mulher com tal descrição. Nada. Cansado
e entorpecido pelo dia e noite que tivera, Henrique se rendeu, desistiu de sua
busca e voltou para o seu quarto.
Durante toda a noite – que parecia ao mesmo tempo longa e
curta demais - ele se remexeu na cama tentando adormecer. Sua mente fervilhava e seu coração ainda
estava disparado, não conseguia parar de pensar naquela mulher livre e sedutora
que o beijara. Por que o beijara? O que ela havia visto nele? Por que tinha ido
embora sem nem dizer seu nome? Porque ele não conseguia encontra-la de novo? O
despertador toca, já eram 6 horas da manhã! Já?! Tudo isso de tempo já havia se
passado?! Com dor de cabeça, ele se levantou e foi tomar um banho.
Henrique só foi capaz
de perceber que alguma coisa estava realmente errada com ele quando passou o
condicionador no cabelo antes do shampoo. Depois deixou o sabonete cair
inúmeras vezes no chão. “O que está havendo comigo hoje?!”- pensava enquanto
achava graça em tudo aquilo. Na hora em que foi fazer a barba, sua mão tremeu
tanto que acabou fazendo vários cortes em seu rosto.
Enquanto limpava o sangue do último corte de sua barba,
Henrique se olhou no espelho por alguns instantes. Encarou com bastante atenção
a sua figura cheia de curativos no rosto e com olheiras pela noite não dormida.
Começou a rir de si mesmo, quase gargalhando. Foi invadido por uma felicidade
tamanha , e mesmo sem saber de onde tal felicidade se originara, dançou e
cantou pelo banheiro.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Nem tudo
Nem tudo está perdido
E nem tudo foi largado
Jamais será esquecido
Mesmo achando que está abandonado
Nem tudo se pode evitar
Quase nunca se deve impedir
Aprender a chorar
É a melhor forma de aprender a sorrir
Não saia do caminho
Nem abandone sua alma
Veja que há espinhos na rosa
Sorria por haver rosas nos espinhos.
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